Me encontre na rua de trás.

*Jeferson Neri

– “Aqui não, me encontre na rua de trás!”. Foi o que escutei quando minhas mãos se entrelaçaram na del@ na praça da cidade.

– “Aqui não, me encontre na rua de trás!”. Foi o que escutei quando tentei dar um beijo nel@ pela primeira vez.

– “Aqui não, me encontre na rua de trás!”. Foi o que eu ouvi quando marcamos nosso primeiro encontro.

Ruas de trás foram palco de vários encontros durante muito tempo de minha vida. Era assim que me permitia viver. Era assim que queriam me ver. Submeter-me a essas circunstâncias foram determinantes para um processo de anulação, negação e tristeza. Inúmeras vezes preferi não ser assim, inúmeras vezes acreditei não ser assim, afinal, mais fácil e certo era me enquadrar nos padrões e assumir de vez a sina da “rua de trás”.

Lutei durante anos tentando alcançar uma “normalidade” que meu corpo conseguia ser, que até minhas ações conseguiam expressar, mas minha alma insistia em morrer. Levei bastante tempo para entender que estava na luta errada, e que se queria viver e “ser alguém” era preciso não assumir a rua de trás, mas abandoná-la de vez.

E por acreditar que o reconhecimento de si está no empoderamento e consciência do papel assumido, hoje posso dizer que tenho orgulho de me reconhecer como um sujeit@ LGBT:

– Orgulho de me olhar no espelho e reconhecer como sou e não o que os outros esperam que eu seja.

– Orgulho de ser LGBT, porque cada dia vivido é um dia lição de resistência.

– Orgulho, porque sei que meu existir autêntico ajuda e ajudará inúmeras pessoas que, assim como eu, ainda confrontam diversas formas de opressão todos os dias.

– Orgulho porque a cada xingamento que escuto não me deixo esmorecer.

– Orgulho porque sei que incomodo, e se incomodo, sei que me percebem.

– Orgulho porque fazer parte do “Vale” é a melhor coisa que eu poderia querer.

– (…)

E mesmo sabendo que, vielas escuras, cabines de banheiro, quartos de repúblicas vazias nas férias, casas de amigos, gramados de universidades nos fins de semana e ruas de trás, ainda serem a realidade de vários LGBTs por aí, eu me orgulho de poder dizer para eles que é possível ser diferente.

Car@ amig@, não deixe que a rua de trás te defina e te limite. Venha para a luz!

Venha ter orgulho comigo!

*Jeferson Neri é acadêmico de Administração Pública da Universidade Federal de Lavras

(UFLA) e compõe a Diretoria de Diversidades do C.A. de seu curso.

Publicado anteriormente no antigo site da FENECAP na plataforma Wix em 11 de junho de 2019.

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